anorexia

Anorexia e Bulimia

Anorexia e bulimia são distúrbios alimentares que têm entre si características semelhantes. Acontecem, na maior parte das vezes, entre mulheres (90%) e, dentre elas, 40% estão na fase da adolescência – acometem cerca de 1% da população mundial. Há, nesses casos, uma obsessão pelo que consideram ser um corpo ideal. Os padrões de beleza impostos pela nossa sociedade contribuem para esse tipo de pensamento, uma vez que a busca por aceitação é muito presente nesse tipo de pessoa. Porém, existem outras causas, mais profundas e de difícil tratamento, como problemas com sua própria sexualidade, baixa autoestima, abusos sofridos na infância (físicos ou sexuais). Geralmente são pessoas perfeccionistas, com sintomas de ansiedade (possivelmente, personalidade obsessivo-compulsiva).

Anorexia
A anorexia caracteriza-se por perda de peso autoinduzida – evitação de alimentos, vômitos e/ou purgação (evacuação provocada por purgantes), exercícios em excesso, utilização de diuréticos. Ocorre uma distorção da autoimagem corporal (o paciente percebe-se “gordo”, quando na verdade não está). Seu peso corporal geralmente fica em torno de 15% abaixo do esperado para a sua altura.
Faz-se necessário um tratamento realizado com equipe multidisciplinar (psicólogos, nutricionistas, endocrinologistas, psiquiatras), para que se obtenha êxito. O emagrecimento gera outros problemas de saúde, desde o amolecimento e a descalcificação dos dentes, tonturas, queda e cabelo, alterações de memória, até infertilidade, baixa imunidade (favorecendo infecções diversas). Em alguns casos, chega-se à necessidade de internação para que organismo se recupere de toda essa desordem gerada por esse tipo de conduta.

Bulimia
Na bulimia há um desejo irresistível de comer (em quantidades excessivas por episódio), seguido de medidas para controle de peso, como: vômito, purgação, enemas (introdução de água e medicamentos líquidos por via retal para lavagem intestinal) e utilização de diuréticos compulsivamente. Geralmente apresentam peso próximo ao considerado normal para a sua altura.
A pessoa come exageradamente e se arrepende de ter realizado essa ingestão alimentar. Com receio de aumentar o peso, decide pela purgação – que acaba por se tornar uma ação constante em sua vida. O tratamento, em geral é realizado com psicólogos e psiquiatras, pois a medicalização para a contenção da ansiedade e da compulsividade faz-se necessária.


toc

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo caracteriza-se por pensamentos desagradáveis e recorrentes, que levam a pessoa a realizar ações repetidas (o que chamamos de “rituais”) para aliviar a ansiedade causada por esses pensamentos que invadem sua mente sem ela queira, de maneira inconveniente, e em situações das mais diversas.

A própria pessoa reconhece que tais pensamentos não fazem o menor sentido, estão fora da realidade, mas mesmo assim sente uma necessidade incontrolável de realizar os rituais. A sensação que ela tem é que “coisas terríveis” podem vir a acontecer com ela mesma ou com pessoas das quais ela gosta muito, caso não realize as ações que imagina ter que realizar.

Alguns dos rituais mais comuns:

Compulsão por Checagens: se trancou a porta, se desligou o gás, se apagou as luzes, se fechou as janelas, se guardou determinado objeto na bolsa, etc.

Compulsão por Limpeza:  limpar diversas vezes os mesmos locais ou objetos, sem aparente necessidade, lavar as mãos várias vezes seguidas, lavar os cabelos com diversos shampoos, etc.

Compulsão por Contagem: contar quantos objetos têm em determinado lugar, contar até determinado número repetidas vezes, etc.

Compulsão por Ordenação: colocar em determinada ordem os objetos, na mesma sequência e nos mesmos lugares, alinhar quadros, guardar as roupas simetricamente, etc.

Compulsão por Repetição: trata-se de repetições aleatórias, como ligar e desligar um interruptor de luz, sair e voltar ao cômodo de origem, entrar e sair pela mesma porta por diversas vezes, etc.

Compulsão Mental: em geral, são pensamentos voltados a orações, pensamentos “bons”, ou frases, números ou palavras que, se pensados repetidamente, acredita-se que afastarão as ideias desagradáveis. pelo fato desse tipo de compulsão não ser observável, sua existência só será sabida caso quem a possui reconhecê-la e passar esta informação a outras pessoas, o que pode dificultar quanto à intervenção.

Tratamento: Com o passar do tempo, é comum que esse quadro se agrave, então, quanto mais precocemente for iniciado o tratamento, melhor será para o paciente. O tratamento consiste em psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico. Enquanto o medicamento adequado estabiliza a química cerebral, a psicoterapia propicia ao paciente um modo mais equilibrado de lidar com a ansiedade que sente.

Por: Teresinha Seraggi