Dependência Química

Dependência Química é uma doença crônica. Caracteriza-se por comportamentos impulsivos e recorrentes de utilização de uma determinada substância para se obter a sensação de bem-estar e de prazer, aliviando sensações desconfortáveis, como ansiedade, tensões, medos, etc. Apresenta-se de duas formas: dependência física e dependência psicológica.

Dependência Física: caracteriza-se pela presença de sintomas físicos extremamente desagradáveis, que surgem quando o usuário interrompe ou diminui, de forma abrupta, o uso da droga – é o que chamamos de síndrome de abstinência.

Dependência Psicológica: caracteriza-se por um intenso estado de mal-estar psíquico, levado por sintomas de ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, a partir do momento em que o usuário para de ingerir a droga na frequência e quantidade habituais. Mas, afinal, o que é Droga? Droga é qualquer substância capaz de trazer alterações no funcionamento do organismo de um ser vivo, resultando em mudanças fisiológicas e comportamentais, sejam elas nocivas ou medicinais.

Seguem, abaixo, alguns tipos de drogas mais comuns e seus efeitos:

Cocaína: É um estimulante do sistema nervoso central, causa aceleração do pensamento, inquietação psicomotora, aumento do estado de alerta, inibição do apetite, perda do medo e sensação de poder. Após o término de seus efeitos, seu usuário entre em um estado de depressão, o que o leva a necessitar de outras doses da droga. Pode ser aspirada, injetada ou fumada (crack). Seu uso contínuo leva a complicações cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, perda da capacidade sexual, entre outros. Sintomas psíquicos como depressão, irritabilidade, ansiedade, agressividade, dificuldade de concentração e paranoia também podem surgir em decorrência de sua utilização.

Ecstasy: É uma droga sintética (feita em laboratório), ingerida em forma de comprimidos e que causa sensação de bem-estar e alterações da percepção sensorial de seu usuário. Seus efeitos agudos compreendem intensa hipertermia (podendo ultrapassar os 40ºC), taquicardia e elevação da pressão arterial, alucinações, aumento da atividade física e insônia. Os efeitos causados a longo prazo são doenças renais, cardíacas, emagrecimento, transtornos psiquiátricos e lesão cerebral.

LSD: É uma das mais potentes substâncias alucinógenas já conhecidas. Seus efeitos são imprevisíveis. Pode proporcionar estados de intensa euforia, intercalados com sentimentos de medo e tristeza, além de sentimentos persecutórios. Além disso, pupilas dilatadas, aumento (ou diminuição) da temperatura corporal e da pressão arterial, taquicardia, sudorese, perda de apetite, insônia, boca seca, tremores, alterações da percepção corporal, despersonalização (perda do contato com a realidade). Seus efeitos crônicos se traduzem por fadiga, tensão, transtornos psiquiátricos, “flashbacks”, incapacidade de perceber e avaliar situações de risco.

Anfetaminas: São drogas sintéticas, facilmente encontradas em farmácias – receitadas para regimes de emagrecimento, vendidas sob prescrição médica. Seus efeitos agudos são euforia, aumento da vigilância e da atividade motora, melhora no desempenho atlético, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento da pressão arterial e da temperatura corporal – o que pode levar a convulsões. O uso prolongado desse tipo de droga provoca intensa perda de peso, hipertensão, agressividade, irritabilidade, sentimentos persecutórios, tremores, respiração rápida, desorganização do pensamento, repetição compulsiva de atividades.

Anabolizantes: São hormônios sintéticos que substituem o hormônio masculino testosterona. Ou seja, são utilizados para reposição hormonal para homens que não o produzem em quantidade suficiente. Porém, vem sendo consumido em larga escala por pessoas que praticam esportes para aumentar a massa muscular. Apresentam dois tipos de efeitos: anabólico (aumento do crescimento muscular) e androgênico (desenvolvimento de características sexuais masculinas). Provoca em homens a redução da produção de esperma, impotência, dificuldade/dor ao urinar, calvície e ginecomastia (aumento das mamas de forma irreversível). Em mulheres, o engrossamento dos pelos do corpo e da face, perda de cabelo, diminuição dos seios. Em adolescentes, pode interromper o crescimento físico. Em adultos, aumenta o risco de câncer no fígado, problemas de coagulação no sangue, colesterol, hipertensão, ataque cardíaco, acne, oleosidade, agressividade, alteração de humor, distração, problemas de memória.

Maconha: A cannabis sativa produz mais de 400 substâncias químicas, entre elas, o THC (tetrahidrocanabidol). Seus efeitos agudos são despersonalização, desrealização, ilusões transitórias, excitação psicomotora, euforia, irritabilidade, aumento da sensibilidade a estímulos sensoriais (maior percepção de cores, sons, texturas, paladar, apetite), boca seca, tosse, percepção temporal mais lenta, aumento da introspecção, aumento do desejo sexual, sensação de relaxamento, sensação de flutuar, aumento da autoconfiança. Afetam a memória recente, causam comprometimento motor, conjuntivite, pupilas dilatadas, taquicardia, alteração da pressão arterial. Efeitos crônicos: comprometimento da imunidade, problemas cardíacos, hipertensão arterial, doença vascular cerebral, diminuição da testosterona e da produção de esperma, desorganização do ciclo ovulatório. Nas gestantes, pode ocasionar hipóxia fetal, comprometimento no desenvolvimento fetal, baixo peso ao nascer. Outras consequências que podem ocorrer devido ao seu uso são bronquite crônica, câncer pulmonar, faringite, sinusite, diminuição da interação social.

Tabaco: Seu princípio ativo é a nicotiana tabacum, extraída de uma planta e misturada a outras substâncias (algumas muito tóxicas, como terebentina, formol, amônia, naftalina, entre outras), para ser inalada ou fumada através do cigarro, do charuto, do cachimbo, do rapé, ou mesmo,  mastigada.  Seus efeitos agudos são: leve taquicardia, hipertensão, aumento da respiração e da ativodade motora, dificuldade de digestão, insônia, tontura e inibição do apetite. Efeitos crônicos: doenças cardíacas, bronquite crônica, enfisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva, câncer. Há estudos mostrando que pessoas que fumam de 1 a 2 maços de cigarro por dia têm 8 anos a menos de vida em relação às pessoas que não têm esse vício.

Álcool: É a substância psicoativa mais antiga da humanidade. Seus efeitos acontecem em duas fases: uma, estimulante e outra, depressora. Na fase estimulante: euforia, desinibição social, facilidade para falar em público. Na fase depressora: falta de coordenação motora, sonolência e descontrole das ações. Seu uso prolongado pode desencadear doenças no fígado, no coração, nos vasos sanguíneos, varizes abdominais, pancreatite, tremores. Afeta a capacidade intelectual e a memória de seu usuário.

Opiáceos: Ópio é um líquido leitoso que escorre quando realizado um corte em uma planta conhecida popularmente como papoula do oriente. Dividem-se em: naturais (morfina e codeína) e semissintéticos (heroína). São drogas sedativas (que induzem o sono) e analgésicas, utilizadas para fins medicinais – quando o paciente sente muita dor (em doenças como câncer, para o caso de um paciente ter sofrido grandes queimaduras, etc) .  Mas há quem os utilize sem necessidade, só para “sentir um barato, ou ficar nas nuvens”, como chamam. Os efeitos causados pelo uso indevido são euforia, intensa sensação de prazer, distanciamento da realidade, chegando a sentimentos de mal-estar, irritabilidade, dificuldades respiratórias, convulsões, coma e morte. Uso prolongado: prisão de ventre crônica, problemas digestivos, dificuldades visuais, perda de contato com a realidade.

Tratamento: O tratamento para o uso de drogas é muito complexo, uma vez que a motivação para a mudança se apresenta de formas diferentes para cada um de nós. A internação é parte do tratamento (importante na fase de abstinência), mas o acompanhamento contínuo é a estratégia mais indicada. É importante que se faça uma modificação radical em relação aos hábitos e ao grupo social. Por vezes, a mudança de bairro e, até de cidade, torna-se necessária. Os grupos de apoio aos dependentes e aos familiares os ajudam a lidar com o problema, que acaba por afetar toda a família.

Por: Teresinha Seraggi

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