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Epilepsia

Antes de tudo, gostaria de dizer que o conhecimento é a melhor arma contra o preconceito (que existe até mesmo dentro de casa).

O que é Epilepsia

Epilepsia é a condição neurológica grave mais comum no mundo todo. Ela pode ser adquirida – seja por sequelas de derrame ou de tumores, por neurocisticercose (quando nos alimentamos de carne de porco mal cozida e o cisticerco se aloja no cérebro), por alguma batida muito forte na cabeça (acidentes de carro ou moto, por ex.) e também pode acontecer desde o nascimento (doenças genéticas ou malformações no cérebro). Ela provoca convulsões e, por vezes, a perda da consciência.

Em nosso cérebro há milhares de células (chamadas neurônios) que conduzem os impulsos elétricos para que possamos realizar as atividades que desejamos.  Em algumas pessoas, um grupo de neurônios pode se comportar de maneira diferente dos demais, provocando descargas elétricas excessivas – como resultado, acontece uma atividade involuntária do corpo, o que chamamos de convulsão.

Mas, veja bem, convulsão não é necessariamente epilepsia. Para que seja, é preciso que ocorram as seguintes situações: acontecer por repetidas vezes em um intervalo maior que 24 horas; na ausência de febre; na ausência de infecções do sistema nervoso e; na ausência de qualquer tipo de intoxicação (por drogas, por exemplo).

Caso contrário, poderá ser uma convulsão isolada, podendo nunca mais ocorrer, inclusive sem a presença de qualquer medicamento de controle.

Calcula-se que 1% a 2% da população brasileira sejam acometidas por esta condição, sendo que aproximadamente 50% dos casos iniciam-se na infância ou na adolescência.

Elas podem durar de alguns segundos até alguns minutos, na maior parte das vezes. Em situações em que excedem os 5 minutos (o que é raro), é necessário levar a pessoa imediatamente a uma unidade de pronto atendimento. Lembrando que é importante levar a pessoa a um médico em todos os casos, uma vez que elas podem se repetir. Desta forma, após uma avaliação, serão indicados os medicamentos necessários para seu controle.

Tipos

Existem 2 tipos de crises epiléticas: as parciais e as generalizadas:

Parciais – quando essa atividade neuronal excessiva ocorre em uma parte do cérebro. Têm a duração de alguns segundos. Neste tipo de crise as pessoas podem estar conscientes e apresentar movimentos em apenas um dos membros, ou alterações de olfato, visão, audição ou paladar.

Generalizadas – quando ocorre no cérebro inteiro. Esse tipo de crise epilética leva à perda da consciência (convulsão) ou, a crises de ausência (como se a pessoa se “desligasse” do ambiente por alguns instantes).

Existe também uma condição que atinge os bebês, chamada Síndrome de West – é como se a criança tomasse pequenos sustos, sem motivo aparente. Nesses casos, é necessário levá-la imediatamente para uma avaliação médica, pois trata-se de uma condição muito grave e, o diagnóstico precoce é essencial para a prevenção de sequelas.

Exames utilizados

Para se definir o motivo da epilepsia, comumente são utilizados 2 exames:

– ressonância magnética;

– eletroencefalograma.

Desta forma, é possível identificar o melhor tratamento a ser realizado.

Cuidados Necessários

– nunca deixe de tomar o remédio, mesmo se for ingerir bebidas alcoólicas;

– procure manter uma boa qualidade de sono;

– administre o seu dia-a-dia de forma a reduzir o estresse;

– não pare de tomar a medicação prescrita sem antes falar com o seu médico.

A epilepsia nem sempre tem cura, mas pode ser eficazmente controlada sob orientação médica.

Consequências na infância e na adolescência

Na infância e na adolescência, a epilepsia pode interferir no rendimento escolar e na interação social, por motivos relacionados, eventualmente, pela diminuição da capacidade cognitiva, pela sonolência causada por alguns medicamentos, mas sobretudo, pela falta de informação dos adultos e pelo preconceito que (ainda) existe. Portanto, é de fundamental importância que os parentes, pessoas próximas e que os professores estejam bem informados para que possam explicar às outras pessoas (e à própria criança) sobre o que se trata e como proceder diante de uma crise convulsiva.

O que não fazer?

– não segure a pessoa;

– não coloque nada na boca da pessoa (caneta, pano);

– não coloque o dedo para puxar a língua;

– não dê álcool (e nem nada semelhante) para que a pessoa cheire.

O que fazer?

– tire de perto objetos que possam oferecer risco (objetos cortantes, cadeiras, mesas – por conta das quinas, etc);

– vire a cabeça da pessoa de lado (para que a saliva escorra e ela não engasgue);

– proteja a cabeça da pessoa com a mão ou com um pano, para que ela não bata a cabeça em alguma superfície que cause lesões;

– acalme as pessoas que estiverem ao redor.

A epilepsia não incapacita ninguém para o trabalho, para os estudos e nem para os relacionamentos afetivos – apesar de algumas crenças nesse sentido ainda serem divulgadas através do senso comum…

O tratamento psicológico visa orientar tanto o paciente quanto a família, melhorando a autoestima e a qualidade de vida dessas pessoas e diminuindo o estigma que se forma em torno delas.

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